12.4.09

Algodoal

É engraçado que eu esteja escrevendo sobre Algodoal só agora. É que fui pela primeira vez a Algodoal no último fim de semana e acho que fui um dos últimos seres aqui em Belém a conhecer aquela ilha, portanto as minhas palavras podem soar um tanto quanto redundantes pra muita gente.
De qualquer forma, as pessoas que conhecem Algodoal provavelmente verão mais sentido neste post.

A Praia da Princesa
Alguns lugares são mágicos. Facilmente a gente percebe isso só de passar por determinados lugares de qualquer cidade. Alguns pontos parecem constituir "barreiras" que, a partir dali, você tem a sensação de uma "cidade dentro da cidade". Não sei explicar, é mais uma sensação que algo em especial que a gente veja pela paisagem.
Certos lugares têm ares diferentes. Não tem nada a ver com coisas "sobrenaturais" - se é que existe alguma coisa contida na natureza que esteja para além dela mesma - nem as pessoas que você encontra (que para os arredores de Belém, é muito provável que sejam figuras conhecidas). É só a existência daquele ponto no planeta que o torna especial.
A ilha de Algodoal faz parte da Região do Salgado Paraense e tem por limites, ao Norte, o Oceano Atlântico, ao Sul, o canal de Mocooca, a Leste, a Baía de Maracanã e a Oeste, a Baía de Marapanim. É uma região de águas salobras, que são do encontro de águas de rio com as águas do oceano.
Numa viagem a Algodoal, você sente que a magia começa no momento em que pisa dentro do barco pra fazer a travessia. Só há uma via pra Algodoal: água. O barco sai de um pequeno porto em Marudá, que fica a aproximadamente 200km de Belém.
Digo aproximadamente pois é um lugar tão "insignificante" que não é possível pesquisar no Google Maps e eu realmente não sei a distância exata e calculei mentalmente pelo tempo de viagem.
Sorte a nossa, nem o Google é capaz de nos achar em Algodoal! E você pode acreditar, a última coisa que uma pessoa quer naquela ilha refere-se a elementos que lembrem a nossa vida cotidiana e "tecnológica". Percorremos grandes distâncias a pé, pois lá não passa carro. As ruas são todas de areia, sem pavimentação. Andar de carroça é luxo. Gelo é uma especiaria e vale ouro. A Praia da Princesa é sensacional...
É interessante o funcionamento dos principais bares. Eles têm horários sincronizados de funcionamento, então você sai de uma festa e logo está começando outra, praticamente 24h por dia! Lá você encontra todo tipo de gente: de casais apaixonados até malucos que gostam de "contato com a natureza". Infelizmente, toda e qualquer descrição através de palavras ficará demasiado longe da realidade.

De qualquer forma, agora entendo o que quer dizer a expressão "o que rola em Algodoal morre lá". É que, mesmo que a gente conte as histórias de um fim de semana na ilha, é impossível ter uma real noção sem ter presenciado o clima de lá. É indescritível.


Lago da Princesa

3.4.09

Suíça na Bienal de Arquitetura

Quinze projetos representarão pela primeira vez a Suíça na Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. O Museu de Arquitetura da Suíça levará pra São Paulo a exposição Arch/Scapes – A relação entre a arquitetura e a paisagem.
Particularmente, é algo que me atrai bastante a apresentação das soluções mais modernas nesse sentido, especialmente porque na Europa eles estão bem à frente em duas questões fundamentais: acessibilidade e principalmente a sustentabilidade.
Acredito que seja de interesse geral essa questão da sustentabilidade, isso faz da 7ª Bienal de Arquitetura o evento imperdível do ano (depois, é claro, do show do Radiohead).
Um destaque para o arquiteto Peter Zumthor, um dos grandes arquitetos contemporâneos, que, apesar de não usar um software espacial pra modelar seus projetos - um sujeito um tanto quanto avesso ao "marketing estilo Frank O. Gehry" - figura entre os gurus da arquitetura contemporânea.
Zumthor é um dos participantes da Suíça no evento. Provavelmente, apresentará um projeto sensacional!



















Foto: Restaurante nos Alpes
. Projeto de Zumthor.

"Large stone panels are placed around the steel frame skeleton of the existing station and the inner load bearing structure of the new building. They lean on and against each other.
A house of cards. A house of stone slabs." Peter Zumthor